Prefeitura de Lauro de Freitas utilizará tecnologia japonesa para despoluição do Rio Sapato

Quem olha as bolinhas de argilas com formatos irregulares nem pode imaginar que acompanhadas de “bactérias do bem” são capazes de contribuir na despoluição de rios de forma eficaz e segura. A proposta, apresentada na noite da última sexta-feira (8), pela Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Lauro de Freitas (Semarh) encerrou as ações da Semana do Meio Ambiente com o lançamento do projeto piloto inédito na cidade. A expectativa é a de que nos próximos doze meses o manancial que banha o município em mais de sete quilômetros de extensão, reduza os índices de poluição com a melhora significativa da qualidade de suas águas.
De acordo com o secretário da Semarh, Juraci Alves, a ação é fruto de uma parceria público-privada entre a prefeitura e a AMBIEM – empresa responsável pela tecnologia EM na América Latina. Incialmente os microrganismos serão lançados em dois pontos, com extensão de quatro quilômetros. O primeiro na Avenida Beira Mar e o segundo no local onde o manancial recebe os efluentes lançados pela Lagoa dos Patos. “Esse esta sendo considerado o pontapé inicial para mais projetos que virão para revitalização dos nossos rios. O Sapato é o primeiro passo para mostrarmos que esse processo é real e eficaz”, disse.
Desenvolvida há mais de 40 anos no Japão, a tecnologia já foi aplicada em vários rios pelo mundo. O engenheiro agrônomo e diretor da AMBIEM, Cid Simões, explicou que assim como ocorre na fabricação de alimentos que levam nas receitas a ajuda das bactérias para fermentar e trazer benefícios à saúde humana, o mesmo ocorrerá no Sapato. “Nós ainda temos uma concepção errônea de que em se tratando de bactérias tudo é ruim, mas olhem para o iogurte, para a cerveja, para o vinho, em todas essas receitas utilizamos bactérias”, disse.
Simões explicou que, ao serem lançados nas águas do rio, esses microrganismos agirão na decomposição do lodo que fica depositado no fundo. “Esses seres ajudarão o corpo hídrico a combater ainda bactérias nocivas, presentes na água por conta do lançamento de esgotos in natura que oxidam e matam o rio”, disse ele explicando ainda que “todo esse sistema é realizado a partir de cálculos e estudos baseados na capacidade de depuração. Em síntese, essas bactérias agirão como decompositores, transformando a poluição em substâncias minerais”, concluiu.
Os primeiros fios de água vermelha do rio Sapato nascem atrás das dunas de Itapuã, na capital baiana. Ao todo, são nove quilômetros de extensão, sendo sete dentro do município. Em Lauro de Freitas, esse corpo hídrico percorre os bairros de Ipitanga e Vilas do Atlântico e desagua no Rio Joanes, em Buraquinho, com efluentes no Araqui, Vila Praiana e Pitangueiras. Estudos técnicos, disponíveis na Semarh apontam que o Sapato tem vazão de um metro cubico por segundo e recebe em média, diariamente, 150 quilos de poluição.
O lançamento de esgoto doméstico in natura nas águas do Sapato foi intensificada em meados dos anos 90. Sentados, assistindo a palestra, ribeirinhos relembram histórias da infância marcadas pela presença do rio. “Nós íamos à praia e na volta tirávamos o sal do mar no Sapato”, relatou a aposentada Vera Lúcia, moradora de Ipitanga há trinta anos. Assim como ela, o professor Sérgio Lisboa disse estar entusiasmado com a possibilidade de ver o rio limpo outra vez. “Será uma vitória para todos e um grande avanço para a cidade”, disse.
Secretário da Semarh, Alves fez um alerta: além da aplicação da tecnologia EM no rio, as casas, condomínios e centros comerciais que despejam material poluidor no Sapato terão que adequar o descarte do esgoto de acordo com as normas do Inema. “Desde o começo deste ano, equipes da Semarh têm ido de casa em casa. Estamos notificando esses empreendimentos, é necessário a implantação de filtros antes de lançar os dejetos no rio Sapato”, frisou.
Além da intervenção com a tecnologia EM, atuações executadas em transversalidade com outras pastas no rio desde o inicio da gestão foram apresentadas. O secretário de Serviços Públicos (Sesp), Renato Brás, pontuou a limpeza frequente do efluente com a retirada das plantas macrófitas e detritos pelas equipes da Secretaria de Serviços Públicos (Sesp). “Nosso trabalho é incansável e ininterrupto. A prefeitura está fazendo a parte que lhe cabe, agora cada morador tem que chamar para si parte da responsabilidade. Aqueles que lançam esgotos no rio, que tomem sua iniciativa de forma correta para o meio ambiente. Já tiramos até sofá de dentro do rio”, afirmou.
Estiveram presente na ação o superintendente da Empresa Baiana de Águas e Saneamento S.A. (Embasa), Júlio Mota, o engenheiro ambiental do Inema Roberto Cesar, e o secretário municipal de Infraestrutura Vidigal Cafezeiro que destacou as etapas de construção do Plano Municipal de Saneamento Básico de Lauro de Freitas, no ano passado, com a participação da população em seis audiências realizadas nos bairros, em que os eixos águas pluviais, drenagem, esgoto e resíduos sólidos foram discutidos e apresentadas propostas para intervenções e melhorias.
“Já temos boa parte desse Plano em execução com a parceria da Embasa, com as obras da rede de esgoto concluídas. Esse esgoto, depois de tratado, será lançado no emissário submarino em Salvador, já em fase de conclusão”, disse.

Jornalista Giovanna Reyner
Foto Rafael Magno

Ascom Prefeitura de Lauro de Freitas

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