Creche Casulo Vovó Ana celebra 39 anos de história e compromisso com a educação em Lauro de Freitas






A Creche Casulo Vovó Ana celebra, nesta segunda-feira (31/8), 39 anos de atuação dedicados à educação, à valorização da identidade e da cultura. Gerida pela Prefeitura de Lauro de Freitas, por meio da Secretaria Municipal de Educação (SEMED), a instituição atende 60 crianças, de 1 a 4 anos, em tempo integral, das 8h às 17h no bairro de Vila Praiana.
Instalada no espaço do terreiro Ilê Axé Opô Aganju, a Casulo Vovó Ana nasceu de uma iniciativa comunitária voltada, inicialmente, ao acolhimento dos filhos das famílias que frequentavam o local. Atualmente, as crianças recebem acompanhamento pedagógico, participam de atividades educativas e têm acesso a cinco refeições diárias. A unidade conta com uma equipe formada por 15 profissionais, entre auxiliares de classe, cuidadores e trabalhadores de apoio.
A secretária municipal de Educação, Tamires Andrade, destacou que os 39 anos da Creche Casulo Vovó Ana representam uma trajetória de compromisso com o ensino e evidenciam a importância de uma formação que reconheça a história e as particularidades do território. “Celebramos e reconhecemos uma história construída por muitas mãos e que atravessa gerações. A SEMED tem o compromisso de fortalecer esse trabalho, garantindo às nossas crianças uma educação de qualidade, que acolha, respeite as diferenças e valorize suas identidades e raízes desde a primeira infância”, afirmou.
De acordo com a gestora da creche, Josenice Almeida, o trabalho desenvolvido na unidade alia as práticas pedagógicas ao fortalecimento dos vínculos com as famílias. “Aqui, reunimos o pedagógico, o cultural e o social. Não acolhemos somente as crianças, mas também suas famílias. Realizamos esse trabalho conjunto para alcançar resultados cada vez melhores no campo educacional”, destacou.
Josenice acrescenta que, entre as práticas desenvolvidas, está a educação antirracista e afrocentrada, trabalhada desde os primeiros anos de vida como instrumento de valorização da diversidade e de fortalecimento da identidade das crianças. “Entendemos que é desde a primeira infância que precisamos educar para que o racismo não seja reproduzido. Mostramos às nossas crianças que ser negro não é algo negativo e que uma pessoa negra pode ser médica, engenheira, cientista e ocupar qualquer espaço”, explicou.
Na creche, as crianças também vivenciam experiências relacionadas à cultura de matriz africana, a exemplo da capoeira, incorporada às atividades como expressão cultural e educativa, além de contribuir para o fortalecimento do sentimento de pertencimento.
A história da Casulo Vovó Ana também se entrelaça à trajetória de educadores que contribuíram para a consolidação da instituição, como a pedagoga Ângela Maria, que atuou como colaboradora e, posteriormente, integrou o trabalho pedagógico da unidade. “A proposta inicial era cuidar das crianças das pessoas que frequentavam o terreiro. Depois, a própria comunidade começou a pensar na educação, e esse espaço foi se estruturando como creche. Com a parceria da Secretaria de Educação, chegaram profissionais e o trabalho pedagógico foi fortalecido. Hoje, temos aqui um projeto educacional e social que se tornou uma grande referência”, relembrou.
Filho da terra, locutor há mais de 20 anos, blogueiro, empresário e apaixonado por Lauro de Freitas-Bahia.
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