Mulheres de Lauro de Freitas pedem fim do feminicídio e da violência em marcha realizada neste sábado (30)

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Vestidas de preto, em sinal de luto, e com muita determinação, mulheres de Lauro de Freitas transformaram as ruas de Vilas do Atlântico em um poderoso palco de conscientização contra a violência de gênero neste sábado (30/8).

A caminhada, um ato em alusão a campanha Agosto Lilás, foi convocada pela Associação Divas de Villas e contou com o apoio da Prefeitura de Lauro de Freitas, ecoando um grito coletivo pelo fim da violência doméstica e do feminicídio, crimes que ainda assombram a cidade e o país.

O ponto de partida, na Avenida Praia de Itapoã, foi mais que um local de encontro, tornou-se espaço de diálogo e fortalecimento. Frases de impacto como “Nenhum direito a menos” e “Lugar de mulher é onde ela quiser” guiaram o cortejo, que reuniu emoção, falas de ordem e um chamado urgente à ação.

A prefeita Débora Regis participou do ato e discursou com a autoridade de quem compartilha a experiência de ser mulher.
“Hoje, minha fala é como mulher, mãe, tia, filha. Precisamos unir forças e investir cada vez mais em políticas públicas que libertem nossas mulheres da violência. Somos constantemente subjugadas por sermos mulheres, e não podemos aceitar isso, porque o fim dessa história pode ser uma tragédia, um feminicídio”, alertou, lembrando o caso doloroso ocorrido recentemente em Lauro de Freitas, que comoveu a cidade e o país.

“Vizinhos, amigos, familiares, não ajam com frieza, denunciem! Não podemos ver uma mulher sendo agredida e ficar calados. Os homens também precisam entrar nesta luta por suas filhas, esposas e mães”, acrescentou a gestora do Executivo.

À frente da Secretaria Municipal da Mulher, Políticas Afirmativas, Direitos Humanos e Promoção da Igualdade Racial (SEMPADHIR), Margeoire Neves destacou a importância da caminhada como ferramenta de informação. “A agressão não começa no tapa. Existe a violência psicológica, sexual, patrimonial. O que orientamos é que, ao identificar os primeiros sinais, as mulheres procurem a rede de apoio do município”, explicou, citando serviços essenciais como o Centro de Referência de Atendimento à Mulher Leila Gonzalez (CRAM), o Batalhão de Policiamento de Proteção à Mulher (BPPM), a Ronda Maria da Penha e o Núcleo Especial de Atendimento à Mulher (NEAM).

Idealizadora do evento e presidente da Associação Divas de Villas, Josefa Coimbra reforçou o caráter coletivo da luta.
“Precisamos nos colocar no lugar de quem sofre e, por medo, fica calada. Esta é uma ação de todas as mulheres que querem dar um basta. O apoio do poder público hoje, sem medir esforços, é um passo fundamental para começar essa transformação”, disse.

A mobilização contou com o apoio da gestão municipal, por meio das secretarias de Mobilidade Urbana (SEMOB), Segurança, Defesa Civil e Ordem Pública (SSPLF) e Saúde (SESA), que disponibilizou uma ambulância de prontidão, além da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros e de representantes do poder legislativo local.

Para a moradora de Buraquinho, Camila Moura, de 45 anos, a presença nas ruas é um dever. “Estamos aqui para mostrar uma realidade dura. Eventos como este precisam ser corriqueiros, porque se a consciência não vem espontaneamente, tem que vir da nossa insistência. A luta não pode parar. Enquanto estamos aqui, uma mulher está sofrendo, apanhando, sendo humilhada dentro de casa. Isso tem que acabar. O mundo não tem mais espaço para isso”, declarou.

A caminhada encerrou com um sentimento de resistência e união, um símbolo forte de que a luta pela vida das mulheres de Lauro de Freitas segue firme, viva e necessária.

Aladim Locutor

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