Sem a máquina, Elinaldo convoca o Time Azul e recoloca a polarização no centro da política de Camaçari

0
16

Artigo de opinião — Por Anderson Santos

Sem comandar a Prefeitura, sem o Governo do Estado e sem o Governo Federal, Elinaldo voltou a mobilizar seu grupo político e recolocou a disputa de forças no centro do debate em Camaçari.

A convocação do chamado Time Azul, que ganhou as ruas durante os desfiles cívicos de setembro, mostra que o grupo de oposição continua organizado e disposto a ocupar espaço político no município. Reportagens recentes registraram a mobilização de apoiadores de Elinaldo em localidades como Gleba E, Parafuso, Monte Gordo e Vila de Abrantes.

E esse é o dado político que merece atenção.

De um lado, está o grupo que comanda atualmente a Prefeitura e mantém alianças com os governos estadual e federal. Do outro, Elinaldo, agora fora do Executivo municipal, tenta demonstrar que sua capacidade de mobilização não depende exclusivamente da estrutura administrativa.

Mais do que uma movimentação eleitoral de 2026, o fenômeno pode ser interpretado como uma disputa pela liderança política de Camaçari.

Há ainda uma variável importante nessa equação: ACM Neto.

A relação política entre Neto e Elinaldo vem sendo explicitada publicamente. Em evento realizado em Santo Amaro, no fim de agosto, Neto afirmou que considera Elinaldo um de seus “amigos de verdade” e manifestou apoio à sua candidatura a deputado estadual.

Essa proximidade ganha relevância quando se olha para além da eleição atual.

A pergunta que começa a surgir nos bastidores da política de Camaçari é outra: como ficará a correlação de forças no município caso ACM Neto assuma o Governo da Bahia?

Não é possível antecipar o resultado eleitoral nem afirmar qual será a configuração política de 2028. Mas é possível observar que os movimentos realizados em 2026 já estão produzindo uma reorganização dos grupos políticos locais.

Elinaldo tenta transformar sua candidatura em uma demonstração de que continua sendo uma liderança capaz de mobilizar pessoas mesmo fora da Prefeitura. O Time Azul, por sua vez, funciona como símbolo dessa identidade política e como instrumento de presença territorial.

E há um detalhe importante: a disputa não está restrita à sede.

A mobilização registrada nos últimos dias alcançou diferentes regiões do município, reforçando a estratégia de presença territorial do grupo. (Portal RMS)

É nesse ponto que 2026 começa a conversar com 2028.

Camaçari possui peso econômico, eleitoral e político relevante na Bahia. Por isso, qualquer mudança na relação entre os grupos municipais e o Governo do Estado poderá repercutir diretamente na política local.

O Time Azul, portanto, não representa apenas uma cor ou uma estratégia de campanha. Representa uma identidade política construída ao longo dos últimos anos e que agora busca sobreviver fora da máquina municipal.

Do outro lado, o campo governista também possui sua própria estrutura, alianças e capacidade de mobilização.

O resultado é um cenário de disputa política mais visível, no qual azul e vermelho voltam a ocupar lados distintos do tabuleiro de Camaçari.

A eleição de 2026 será o próximo capítulo.

Mas, independentemente do resultado das urnas, uma coisa já está clara: a disputa pela liderança política de Camaçari não terminou com a mudança no comando da Prefeitura. Ela ganhou uma nova fase.

E, olhando para o horizonte, 2028 já começa a aparecer no tabuleiro.

Aladim Locutor

Leave a reply