Comitê científico decide na segunda liberação total do uso máscaras no Rio

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Os membros do Comitê de Enfrentamento à Covid do Rio irão se reunir na segunda-feira (7) para debater a liberação do uso de máscaras em lugares fechados da capital fluminense. O papel do comitê é assessorar a Prefeitura, que pode acatar ou não a avaliação do colegiado. O uso de máscaras em espaços abertos está liberado desde outubro do ano passado.
A Secretaria Municipal de Saúde diz que está em contato com o governo do estado para alinhar uma ação conjunta. Isso é necessário porque, se a liberação não for acompanhada pelo governo estadual, a medida não terá efeito concreto. No caso de regras sanitárias divergentes, vale sempre a mais restritiva.
Em novembro do ano passado, por exemplo, a capital fluminense liberou o uso de máscaras em academias para pessoas vacinadas. No entanto, a prefeitura precisou recuar depois que a Secretaria de Estado de Saúde decidiu manter o uso do item de proteção nesses ambientes.
Para a epidemiologista Gulnar Azevedo, a prefeitura deveria esperar mais um pouco para liberar o uso de máscaras em lugares fechados. Ela argumenta ser importante as autoridades se certificarem de que a flexibilização não vai trazer de volta uma nova onda da doença.
“A liberação do uso de máscaras tem que acompanhar não só a situação da vacinação e a necessidade de internação de pessoas, mas também o que houve de aglomeração nesses dias de Carnaval”, diz Azevedo, que é professora do Instituto de Medicina Social da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro).
Embora a prefeitura tenha proibido o Carnaval de rua, o que se viu no feriado foram cenas de aglomeração, com pessoas reunidas em blocos clandestinos. “Por isso, acredito que seria melhor esperar mais um pouco.”
Segundo a especialista, a liberação das máscaras deve acontecer levando em conta o cenário epidemiológico não apenas da capital, mas também o de outras cidades do estado. Além disso, ela diz ser importante fortalecer a vigilância epidemiológica antes de não mais exigir o uso da proteção. “Identificando surto em algum lugar, medidas rápidas e adequadas devem ser tomadas para impedir que essa curva de casos venha a subir novamente.”
Já o epidemiologista Raphael Guimarães diz que as autoridades deveriam elaborar estudos antes de desobrigar o uso das máscaras em lugares fechados.
Para ele, a liberação indiscriminada não é adequada, porque o Rio recebe diariamente pessoas de municípios que não apresentam um cenário epidemiológico tão favorável quanto o da capital.
“Isso significa, em fins práticos, que o bloqueio de circulação do vírus que a vacinação proporciona perde efetividade. Vale mencionar que, embora a cobertura [vacinal] na cidade seja elevada, ela ainda está abaixo de 90%”, diz Guimarães, que é pesquisador do Observatório Covid-19 da Fiocruz .
O especialista acrescenta que as salas de aula são ambientes que inspiram cuidado, já que o percentual de crianças com as duas doses ainda é baixo. “Se a liberação for indistinta entre locais, as crianças estarão desprotegidas dentro das próprias escolas. Não apenas na rede pública, mas também na rede privada.”
No momento, os números da pandemia na cidade indicam melhora da situação. A taxa de positividade dos testes de Covid está em 14%. Em meados de janeiro, quando a cidade vivia uma nova onda da doença, esse índice chegou a 50%.
Nesse período, a capital também registrou uma alta de internações, com mais de 800 pessoas em leitos na rede pública. Atualmente, porém, esse número também caiu. Na terça-feira (1), havia 55 pessoas internadas na rede pública por Covid, 32 estavam na UTI e 23 na enfermaria. A média móvel de casos também apresenta curva descendente, com 217 casos em sete dias.

Aladim Locutor

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